
Seu telefone toca. Ele olha o relógio e fala consigo mesmo:
- Isso é hora de ligar pra casa dos outros? 3 horas da manhã!?
Só que ao ver o número, surpreso atendeu rapidamente.
- Li?! Você está bem?
- Não... - Ela disse em soluços
- O que aconteceu? Está chorando?
- Kost... Venha me ver.. Eu preciso.. de.. você..
Quando a ouviu clamar por ele, seu corpo estremeceu. Alisa o considerava como seu melhor amigo, só não sabia que ele, não sentia apenas amizade por ela.
- Já estou indo. Logo estarei ai.
Levantou-se do sofá, colocou apenas uma camisa, já que estava de calça. Pegou a chave do carro e correu porta afora. Estava com tanta pressa, que acabou esquecendo de trancar a casa, trancou somente o portão da garagem. Pegou seu carro e seguiu o percurso até a casa dela.
Assim que chegou no local. Estacionou bem próximo a entrada. Encostou a cabeça no volante, tentando controlar a emoção. Quando conseguiu, abriu a porta do carro. Ela já o esperava, ao lado do carro a poucos metros dali. Vestia apenas um shorts curto e uma blusa enorme masculina, que tampava até mesmo o short, dando a impressão de que não tinha nada além daquela blusa. Os olhos dela estavam vermelho, aparentava-se que chorou o dia todo. Teria terminado com o namorado?
Ele caminhou em sua direção, observando-a cautelosamente. Alisa não agüentou, correu para ele, soluçando quando o abraçou. Kostya apenas retribuiu o abraço. Enquanto ela soluçava, molhando toda sua camisa. O rosto dele estava sem expressão, olhava para o vazio.
- Ele terminou com você?
- Sim...
- Vamos entrar, você está com pouca roupa, vai ficar com frio.
A conduziu para dentro, até sentá-la sobre o sofá. Ele estava feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz porque ele sabia que ninguém além dele, poderia dar a felicidade que ela merecia. Triste, pois sua amada, chorava por outro. Um ser repugnante e que não merecia se quer uma lágrima que ela derramava a cada dois segundos.
Ambos estavam em silêncio. Podia-se ouvir somente o chorar daquela garota, jovem cheia de vida que naquele momento, só precisava de um ombro amigo. Kostya a abraçou e ela ainda deitada sobre seu tórax, tentou procurar com a mão direita a nuca dele. Quando achou, levantou seu rosto e o beijou nos lábios, que inebriado retribuiu.
Naquele momento, somente o calor do corpo dela importava pra ele. Alisa se levantou, pegou no braço dele e o levou para seu quarto e lá se entregou a ele.
O dia estava amanhecendo. Alisa ainda adormecia. Kostya sentou-se na cama e apoiou a cabeça nas palmas das mãos, precisava pensar. Ele temia que depois do entusiasmo, ela o odiaria. Por ele ter se aproveitado da fragilidade dela. Levantou-se da cama e foi a procura de um papel e caneta.
"Para você, pode ter sido apenas uma noite de prazer. Mas saiba que para mim, foi uma noite de amor. Não pense que eu quis aproveitar da situação. É que eu a amo demais. Sim, eu a amo. Não agüentei a emoção e acabei me entregando. Me perdoe.
________________________________________Kostya."
Deixou o papel ao lado dela e se foi.
Alisa tentou ligar várias e várias vezes. O procurou em casa, mas nada, nem sinal de vida. Três dias depois, ela ficou sabendo que ele havia se mudado, não deixou nenhum endereço nem se quer se despediu pessoalmente.
No dia 19.05.2009, a data em que Alisa fazia aniversário. Recebeu uma carta inesperada e sem endereço.
"Nunca irei saber se sentiu o mesmo que eu. É melhor não saber, pois eu não iria agüentar saber que não sentiu absolutamente nada naquela noite. Prefiro ficar nessa do 'talvez'. Parabéns, desejo que seja muito feliz. Um grande beijo.
_______________________________________Kostya."